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Os cuidados com o solo na produção de grãos

O solo é base da produção agrícola. Não é possível garantir a produtividade pensando apenas na planta. O solo é um fator limitante.
No Brasil, estima-se que a erosão tem gerado perdas anuais de 500 milhões de toneladas de solo e de 8 milhões de toneladas de adubo aplicado nas lavouras, causando prejuízos ao ambiente (assoreamento e contaminação de rios, córregos, lagos), à agricultura (limitação do potencial produtivo e maior risco de perdas por estiagens) e ao consumidor (maior preço dos alimentos).
Da mesma forma, a compactação e o adensamento do solo, decorrentes da adoção do plantio direto ao invés do sistema plantio direto, vêm se constituindo em fator de risco à produção de grãos. O problema afeta o desenvolvimento radicular das plantas, limitando os fluxos de água, ar, nutrientes e raízes no solo, acentuando os efeitos do déficit hídrico mesmo em períodos curtos sem chuva.
O foco em agricultura conservacionista envolve amplo conjunto de tecnologias, considerando a aptidão e a capacidade de uso das terras, formas de preparo do solo, diversificação de culturas, uso preciso de corretivos, adubos, agroquímicos, máquinas e implementos agrícolas, práticas de controle da erosão, até mesmo o equilíbrio financeiro do produtor.
O tema foi base do primeiro módulo da capacitação Embrapa e OCB, realizado na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), nos dias 20, 21 e 22 de março. Entre as técnicas apresentadas no curso estão o terraceamento e a semeadura em contorno.
Os terraços funcionam para conter as perdas de água, solo, material orgânico e fertilizantes pelas enxurradas, prática que assume grande importância considerando as condições de solo, clima e topografia da Região Sul. A água retida nos terraços infiltra no solo, irriga a lavoura e demora de três a cinco meses para chegar aos rios, gerando uma economia de 40% ao ano com fertilizantes, evitando a perda de nutrientes e garantindo a disponibilidade de água para as plantas nos momentos mais críticos.
Outra técnica que pode estar associada aos terraços é a semeadura em contorno. A facilidade na semeadura seguindo o maior comprimento da gleba, independente do declive, torna a operação mais rápida, porém nem sempre a mais eficiente: alguns modelos de semeadoras perdem até 45% de precisão na dosagem de adubo quando são operadas morro acima, morro abaixo. Ao subir, a dose de adubo aumenta em 15% e ao descer a dose cai em 30%. Realizar a semeadura transversalmente ao declive do terreno permite posicionar melhor as fileiras de plantas criando barreiras ao livre escoamento da enxurrada, podendo aumentar em mais de cinco vezes a infiltração de água no solo.
O uso de corretivos e fertilizantes responde por grande parte dos custos de produção, por outro lado esses insumos também são responsáveis pelo incremento na produtividade e podem impactar até na qualidade dos grãos. Cada cultura tem uma quantidade pré-determinada para adubação em função do teto de produção estabelecido. É preciso avaliar a quantidade certa para cada objetivo, ou seja, o valor para correção, para manutenção e para a reposição dos nutrientes no solo. A Embrapa Trigo avaliou a máxima eficiência econômica de cultivares de trigo durante dez anos (1990 a 2000) no Rio Grande do Sul, e o melhor resultado foi alcançado com 83 kg/ha de N, o que produziu 3.410 kg/ha no rendimento de grãos. A fixação biológica do nitrogênio é outra alternativa de fertilidade, sendo uma tecnologia sustentável que dispensa a utilização de fertilizantes nitrogenados, produtos que além de aumentar os custos de produção podem ser prejudiciais ao ambiente. A técnica consiste em inocular bactérias fixadoras de nitrogênio nas sementes de soja antes da semeadura. Essas bactérias são capazes de capturar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em fertilizante para as plantas. A fixação biológica faz com que a cultura tenha uma economia estimada em 12 bilhões de dólares por ano.

Rafael Oppelt e Jeferson Muhl

Detec-Coagril

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