Informativos Coagril
A CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS FORRAGEIRAS E GORDURA DO LEITE!
Informativo
Atualmente, é comum observarmos vacas leiteiras criadas à base de pasto alimentando-se essencialmente de monoculturas de forragem, geralmente apenas gramíneas como tifton. Quanto aos animais confinados, uma característica comum dos sistemas é a alimentação regular, ou seja, os mesmos ingredientes e porcentagens ao longo do ano. Nestas duas situações é praticamente inexistente o emprego de leguminosas na dieta dos animais.
Embora o uso de pastagens consorciadas promova diversos benefícios ao solo e as plantas, como o aporte de nitrogênio no sistema por meio do processo de fixação biológica de N, e a melhoria da qualidade nutricional da pastagem, principalmente em termos de PB e digestibilidade, a prática ainda é muito pouco explorada por produtores brasileiros.
No entanto, além destes benefícios, o uso de pastagens consorciadas tem mostrado um potencial de modificar o perfil de ácidos graxos (ou gordura) do leite. Tal fato tem chamado a atenção de muitos pesquisadores acerca deste tema, impulsionados diretamente pela demanda crescente de consumidores cada vez mais preocupados com a qualidade nutricional dos produtos que consomem.
Embora o mecanismo de ação destes compostos ainda não esteja totalmente claro, os resultados de pesquisa evidenciam a influência do consumo de leguminosas na composição do leite de vacas. Ao mesmo tempo, os trabalhos têm demonstrado que o consumo de produtos ricos em ácidos graxos poli-insaturados, em especial o ácido linoleico conjugado (CLA) parece ser promissor para a saúde humana. Aqui, gera-se então uma hipótese de que alimentar vacas com pastagens consorciadas pode ser uma alternativa para enriquecer ainda mais a qualidade nutricional do leite. Neste contexto, abre-se o precedente: podemos futuramente explorar este nicho de mercado? E faturar mais?
Médico Veterinário GIOVANI MENEGON - DEPEC COAGRIL